Registrar é preciso…

Padrão

A ideia desse blog é servir como um diário de bordo, no qual todo o planejamento, a execução e a reflexão sobre a ação possam ser registrados. Enfim, whatever works…

P.S.: Muitas das fotos e produções de 2011 aqui relatadas ainda não se encontram nesse blog.

Oficina de Animação para Educadores

Padrão

Imagem: PixabayNo início do ano letivo foi realizado um levantamento de necessidades formativas do grupo de professores da escola em que trabalho como PAPE (professora de apoio no laboratório de informática). Com os temas apontados pelo grupo, foi organizado então o Plano de Formação de Integração de Mídias à Educação constante no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. Para o segundo semestre foram planejadas duas oficinas temáticas em HTPC, em que os professores puderam optar em qual participariam, escolhendo livremente o tema de sua preferência (respeitando o número máximo de 20 inscritos).

A primeira oficina foi realizada no dia 7 de outubro de 2014 com o tema Animação em Stop Motion e ministrada por mim e pela PAPE Agda. O objetivo da oficina era o de aliar a vivência num ambiente lúdico às possibilidades pedagógicas que a animação oferece.

A proposta compartilhada com os professores foi a de vivenciar o processo que costumamos desenvolver com os alunos, desde o repertório acerca da história do desenho animado, passando pelas diferentes técnicas e etapas de uma animação, até chegar à execução da mesma e edição final do vídeo.

Iniciamos com o vídeo “Animus: a história da animação”, que foi sendo discutido a cada informação relevante (origem do desenho animado, técnicas, princípio de persistência visual, a “não neutralidade” da história produzida, etc). Em seguida, a apresentação “Como fazer um desenho animado” do site Iguinho foi explorada com o grupo.

Dentre os quinze professores presentes ao menos seis já haviam desenvolvido projetos com animação no laboratório de informática  e puderam relatar um pouco acerca da experiência com as crianças. Uma das observações comuns a estes professores foi a de que o trabalho em grupo é um ponto forte deste tipo de projeto, assim como a interdisciplinaridade (já que o tema pode ser qualquer conteúdo de qualquer área) e o envolvimento da turma. Além disso, foi constatada que a parceria com a professora do laboratório é essencial, já que enquanto as gravações ocorrem naquele espaço, em sala de aula a confecção de personagens, cenários, storyboards (planejamento da história como se fossem quadrinhos) e outros materiais necessários são realizados concomitantemente.

Foram projetados alguns trabalhos realizados pelos alunos de turmas de 1º ao 4º ano utilizando diferentes técnicas de animação. Após cada pequeno filme (com duração de 3 segundos a 1 minuto) possibilidades de integração desse tipo de trabalho ao currículo escolar eram compartilhadas.  Os professores receberam material escrito com a parte teórica, definições e tutoriais gerais sobre animação, além da indicação de uma postagem no blog de formação da escola com todo o material apresentado na oficina.

Uma semana antes desta oficina, foi solicitado aos participantes que levassem ao menos duas figuras sobre o tema “Ser professor é…”  que encontrassem em revistas, jornais, folhetos, etc. No momento “mão na massa”, os professores se dividiram em 4 grupos e tiveram selecionar as imagens trazidas por cada integrante de forma a contar uma pequena história. Cada grupo elaborou, então, um roteiro e o storyboard da animação. Com este material pronto, partimos para a configuração do software Stop Motion Animator e o início das filmagens da animação de recortes. Um representante do grupo gravou a narração da animação.  Devido ao tempo escasso, infelizmente apenas dois grupos conseguiram finalizar a edição do vídeo.

Avalio que esta oficina teve alguns aspectos bastante interessantes e foi um período de trabalho bastante produtivo. Conflitos naturais ao trabalho em grupo e problemas de percurso surgiram da mesma maneira que surgem com as crianças.  A dimensão da mediação necessária feita pelo professor e o tanto de conhecimento que é posto em jogo a todo tempo puderam ser experimentados de modo natural pelo grupo participante. Desconstruir a ideia de trabalho impossível de ser realizado ou de extrema facilidade na sua execução foi a provocação final.

A finalização da edição dos vídeos foi feita por mim no dia seguinte, assim como a postagem no Youtube. O resultado deste trabalho foi compartilhados no blog de formação da escola e você pode conferir aqui.

Rádio Flamínio no Fórum Global de Educação da Microsoft

Padrão

Rádio Flamínio no Microsoft Global ForumDepois de muitos meses, este post tem a intenção de atualizar os acontecimentos que se seguiram à surpresa de estar entre os 10 projetos selecionados no Prêmio Educadores Inovadores 2013 da Microsoft.
A surpresa foi ainda maior, quando após a apresentação para a banca de 10 especialistas em tecnologia e educação, o projeto da Rádio Flamínio foi escolhido como um dos 4 vencedores da etapa Brasil!
Com este prêmio, ganhamos o direito de concorrer na etapa mundial que ocorreu de 10 a 14 de março em Barcelona, na Espanha.
O Microsoft Global Forum reuniu um grupo de 257 educadores considerados inovadores do mundo todo e seus projetos foram apresentados em dois dias. A Rádio Flamínio, assim como os demais projetos, passou pelo crivo de dois juízes diferentes.
O Brasil não teve vencedores nos projetos individuais, mas tivemos uma representante, a professora Gislaine Munhoz, que conseguiu o segundo lugar no Learn-a-thon (uma atividade em grupo desenvolvida em dois dias) com um projeto sobre o tema “Pobreza”.
Os projetos brasileiros podem ser vistos no blog Educadores Inovadores da Microsoft, assim como os vencedores de 2013 na etapa mundial.

O que ficou de toda essa experiência foi a certeza de que colaboração e a aprendizagem para além dos muros da escola são, no mínimo, imprescindíveis. Se desejamos uma educação de qualidade e  de fato significativa para os nossos alunos, a escola não pode ignorar as habilidades e competências do século XXI: esse tem de ser o prisma pelo qual o currículo escolar deve ser visto.

Resumindo este momento em uma palavra: INCRÍVEL!

 

Surpresas da vida…

Padrão

E depois de tanto tempo sem escrever uma palavra aqui no blog sou surpreendida por uma notícia que me deixou muito, muito feliz…

Inscrevi o projeto que realizo com os alunos monitores do laboratório de informática, a Rádio Flamínio, no 8º Prêmio Educadores Inovadores da Microsoft. A ideia era apenas divulgar um trabalho muito interessante feito pelas crianças (que têm entre 9 e 10 anos de idade) na criação de programas em podcast com diferentes temáticas, sendo que todo o processo é decidido e efetivado por eles – desde a decisão da pauta dos programas, passando pelas pesquisas e entrevistas, até o momento de gravação e edição do áudio.

Qual não foi minha surpresa ao saber que o projeto foi um dos 10 selecionados na etapa nacional?  O resultado foi publicado hoje no Blog Educadores Inovadores e dia 22 de outubro será a hora da verdade… Projetos extremamente interessantes serão apresentados e estou muito ansiosa por aprender com a experiência de professores com ideias inovadoras, que vivem uma outra realidade que não a do meu município.

Como diria Caio Fernando Abreu, “Que seja doce…”!

Image

Celular e escola: inimigos?

Padrão

Tema muito interessante e importante, uma vez que nas escolas do século XXI a proibição do celular vai na contramão do avanço tecnológico. Como aproveitá-lo como mais um recurso a favor do trabalho pedagógico?

Penso que é uma realidade impossível de ser negada, especialmente quando tratamos de escolas que atendem adolescentes e adultos. Até mesmo as crianças do Ensino Fundamental I andam para lá e para cá com seus celulares!

Entretanto dependendo do contexto no qual a comunidade escolar está inserida podemos esbarrar em questões econômicas que vêm de encontro ao que entendo como sendo o propósito maior do mobile learning, a ubiquidade. Ainda assim, é um tema  pelo qual passei a ter extremo interesse desde a minha participação no minicurso com Martín Restrepo, da Editacuja, ministrado no  X Congresso Internacional de Tecnologia na Educação, em Recife, no ano passado.

O texto publicado hoje no site Porvir aborda essa questão, ainda controversa. Confira clicando no link abaixo.

‘Não podemos ver o celular como inimigo’ | PORVIR.

 

Tecnologia e currículo

Padrão

Em algumas rápidas conversas com as coordenadoras pelos corredores da escola minhas inquietações como PAPE são divididas. Um dos assuntos dessas conversas foi a possibilidade de integrar às formações da coordenação o uso pedagógico das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC).

Em 2012 tivemos pouquíssimas oportunidades de formação com esse foco  no horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC).  Assim  a formação para o uso das TDIC foi se dando ao mesmo tempo para professor e aluno – o que, apesar de válido na ampliação de repertório e vislumbre de integração ao currículo,  talvez pouco tenha contribuído para um uso autônomo do laboratório de informática a curto prazo. Neste ano de 2013 sinto que a demanda de trabalho para o profissional de apoio que atua no laboratório aumentou de modo tão brusco que o acompanhamento aos projetos das turmas terá de ser feito talvez não tão de perto quanto eu gostaria e, consequentemente,  a necessidade do uso autônomo por parte dos professores é uma realidade imediata… Formação é, portanto, a palavra de ordem do momento.

Utilizar o computador no dia a dia é simples, fácil e faz parte da vida de todos os professores – mesmo aqueles mais resistentes às novas tecnologias. O grande desafio está em transpor esse conhecimento cotidiano para o contexto educacional integrando as tecnologias ao currículo de forma inovadora, não esquecendo  da necessidade de mediar o processo de aprendizagem de seu aluno na busca de transformar a avalanche de informações disponíveis em conhecimento  construído.

José Manuel Moran no texto “Mudar a forma de ensinar e aprender com tecnologias” faz uma provocação que merece reflexão e vem ao encontro dessa inquietação que me assola no momento:

“Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial.”

Acredito que  falamos em algo maior do que utilizar o computador como recurso pedagógico:  falamos em concepção de Educação; em ver o aluno como produtor de conhecimento;  em  compartilhar informações, remixá-las e criar algo novo a partir do que já existe (o que vai muito além do famoso “Ctrl C, Ctrl V”!);  em trazer o mundo real para dentro da escola e, assim, estourar a bolha que envolve e engessa o currículo escolar…

Conforme vou tomando clareza dessas necessidades, toma conta de mim a ansiedade inerente às grandes mudanças, especialmente quando você está no olho do furacão das mesmas, muitas vezes nublando meus pensamentos e me paralisando em meio à demanda gigantesca de trabalho. Entre  tantos textos interessantes que tenho encontrado em minhas pesquisas em busca de respostas às minhas inquietações profissionais, está a tese de doutorado de Sergio Bicudo da qual um trecho me saltou aos olhos justamente por ajudar a clarear os pensamentos nublados pela ansiedade:

“(…) O ambiente cognitivo do ser humano, por abarcar uma crescente quantidade de informações, tende a criar uma demanda de soluções urgentes e imediatistas. Observando sistemas emergentes, como os das formigas, enxergamos alternativas para uma atuação mais inclusiva, como por exemplo, a representada pela máxima:

Pense globalmente, aja localmente‘.

O ‘pensar’ envolve uma série de processos que partem da interação sujeito-mundo. O ‘agir’, uma operacionalidade estratégica.Nossa contribuição a fim de efetivar a ação é:
  ‘Veja o complexo, faça o simples‘.”¹
Provocação aceita. Hora de respirar, focar e fazer o simples, porém imprescindível. A começar pela minha formação e troca de ideias com parceiros do mundo todo através do MOOC “Tecnologías de información y comunicacíon en la educación” que estou cursando pela UNAM, na plataforma Coursera.
Por conta dessa formação, alguns posts serão publicados e que não terão relação direta com o trabalho desenvolvido na escola (portfólio), mas as atividades propostas neste curso requerem a postagem em um blog… Já que este existe e que a formação faz parte do percurso desta PAPE que vos escreve, pensei: por que não?
1. Grifos do autor.